A exposição Paganus e O Divino Feminino, de Walmor de Oliveira, com curadoria de Otávio Nogueira é um convite à reflexão sobre religião e espiritualidade e sobre a figura da mulher nesse contexto ao longo da história.

A vernissage acontece no dia 3 de agosto, às 19h, e a visitação até dia 21, às quartas, quintas e sextas, das 17h às 21h30, no Sítio.

Serão projetadas fotografias, numa proposta contemporânea de apresentar o conteúdo, que deixa a forma estática para ganhar dimensão e movimento, criando um dinamismo hipnótico, aliando imagens em edição frenética e trilha sonora especialmente composta.

Sobre a exposição

A adoção da palavra latina paganus pelos cristãos como um termo pejorativo abrangente para politeístas, representa uma vitória imprevista e, singularmente, de longa duração de um grupo religioso, com o uso de uma gíria do latim originalmente desprovida de significado religioso. A evolução ocorreu apenas no Ocidente latino e em conexão com a igreja latina. Em outra parte, “heleno” ou “gentios” (ethnikos) manteve-se a palavra “pagão”; e paganos continuou como um termo puramente secular, com toques de inferioridade.

A principal característica da religiosidade pagã é a radical imanência divina, ou seja, a divindade se encontra na própria natureza, incluindo os humanos, manifestando-se através dos seus fenômenos. A ausência da noção de pecado, inferno e mal absoluto, ou seja, sem noção de pecado, também não há noção de santidade ou do profano. A sacralidade da Terra também levou à ausência de templos, a relação mágica com a Natureza se traduz numa religiosidade mágica, a espiritualidade pode ser atingida pela manipulação da carne e dos elementos, através do corpo e da manipulação da natureza.

A mulher foi o centro de vida humana e espiritual durante milênios, sendo a representante da Deusa na Terra, e era reverenciada pela sua habilidade de gerar do seu sangue menstrual uma nova vida, criando o alimento do recém-nascido do seu próprio corpo, bem como pela sua criatividade, que resultou de inúmeras invenções e descobertas.

A sintonia do ciclo com as fases da lua simbolizava a sua estreita conexão com a Deusa lunar, enquanto a sua facilidade em perceber os sinais cósmicos, em se comunicar com as forças da natureza ou com os espíritos ancestrais lhe conferia papel essencial nos cultos e nas práticas espirituais.

Em torno do ano de 1673, perseguidas pela inquisição, mesmo que socialmente convertidas ao cristianismo, mulheres pagãs, fugiram da Europa, primeiro para o Arquipélago de Açores, depois para a Ilha do Desterro, hoje Florianópolis, trazendo a sua criança, seus hábitos, a medicina, a reza.

qui3ago - 21ago 317:00ago 21Exposição Paganus e O Divino FemininoO SítioValor: Grátis

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